O toque de Midas das embalagens
Convênio entre Sebrae e associação brasileira de embalagens leva design e modernidade às micro e pequenas empresas
Texto: Rodrigo Rievers
Fotos: Clóvis Ferreira
No comércio de móveis, uma peça feita para abrigar uma televisão que não estiver decorada com o aparelho pode emperrar a venda. Isso porque, por mais bonito, atraente e inovador que um móvel seja, ele jamais terá o mesmo impacto aos olhos do atento e exigente consumidor se estiver vazio. O problema dessa equação, principalmente na ótica das pequenas revendas, é que a compra de eletroeletrônicos para compor o ambiente da loja e elevar as chances de venda representa custo adicional, quando não um risco direto à segurança do estabelecimento.
Havia anos que o empresário Sérgio de Campos Bicudo, da Guiser Decorações, debruçava-se sobre a questão. Até que teve a idéia de produzir réplicas de TVs, aparelhos de som e DVDs para tornar mais atrativos os móveis que vende em sua loja, na capital paulista. Só não sabia como fazer ou a quem procurar. A solução surgiu quando teve notícia de um convênio que o Sebrae Nacional mantém com a Associação Brasileira de Embalagem (ABRE) para apoiar o desenvolvimento de embalagens para produtos feitos por micro e pequenas empresas, no Jornal de Negócios, do Sebrae em São Paulo.
Como sua demanda não era exatamente a de desenvolver uma embalagem para os móveis que comercializava, ele pensou e chegou à seguinte solução: fazer com que as réplicas de TVs, DVDs e aparelhos de som funcionassem como embalagem para os brindes que os clientes quase sempre ganham após as compras, principalmente aquelas de maior valor. “No comércio de móveis, é comum os clientes pedirem brindes como jogos de lençóis, por exemplo. Então surgiu a idéia de fazer com que as réplicas dos eletrodomésticos que decoram os móveis servissem de embalagem para os brindes que os clientes geralmente ganham após as compras”, diz Sérgio Bicudo.
Foi então que o empresário resolveu procurar o Sebrae e, em seguida, a ABRE. Pouco tempo depois, uma empresa especializada em design de embalagens batia à porta de sua loja. O projeto, que até então não passava de uma idéia tida por alguns como mirabolante, ganhou corpo e tornou-se realidade. Surgiram, então, os aparelhos de som, TVs e DVDs. Feitos com um material similar ao papelão, eles são idênticos aos originais. Copiam, inclusive, as entradas para cabos.
Hoje, a cada vez que um dos móveis decorados pelas réplicas é vendido, a embalagem que imita um DVD, TV ou aparelho de som é usada para embalar os brindes que os clientes levam após a compra. “Ficou muito parecido com um aparelho normal e também desperta a atenção das crianças que vêm à loja com os pais. Muitas querem levar para brincar com o aparelho em casa e isso não deixa de ser uma ajuda na hora da venda”, avalia o empresário.
Nova frente de negócios
A idéia de Sérgio Bicudo está virando um negócio paralelo e as réplicas de eletrodomésticos foram patenteadas. Tudo começou no momento de encomendar as peças na gráfica. Para produzir os DVDs, TVs e aparelhos de som que embalam os brindes ganhos pelo clientes, o empresário precisou investir mais R$ 23 mil. Isso porque as gráficas não trabalham com pequenas encomendas. Como não vai utilizar todo esse volume, ele passou a comercializar quites das réplicas para outras empresas do ramo de móveis. Em pouco mais de dois meses, recebeu encomendas dos estados do Paraná, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. “No dia seis de abril, enviei os primeiros quites para Rondônia”, comemora Sérgio, que aposta na venda das peças para recuperar o dinheiro investido e, quem sabe, abrir uma nova frente de negócios. “Está ficando interessante. A embalagem, que imita um eletrodoméstico, está despertando o interesse de vários lojistas e já tenho até uma reunião com uma grande rede de móveis e eletrodomésticos que se mostrou interessada em ter o produto”, diz o empresário, que comercializa cada quite a R$ 60. “Sem o apoio desse convênio, jamais poderia ter desenvolvido essa embalagem, que na verdade tem funções múltiplas, porque serve como embalagem e ao mesmo tempo decora o ambiente, tornando os móveis mais atraentes”, acrescenta.
Convênio
O desenvolvimento das embalagens em modelo de réplicas de eletrodomésticos feito para a empresa de Sérgio foi um dos 23 projetos já concluídos pelo convênio mantido entre Sebrae e Abre. No entanto, apenas três das 23 empresas atendidas já lançaram as novas embalagens no mercado. Além da Guiser Decorações, do empresário paulista, já estão com novas embalagens no mercado a Nugali Chocolates, de Pomerode (SC), e a Luqui Meias, de Santo André (SP).
Além de São Paulo e Santa Catarina, há empresas com projetos concluídos nos estados de Alagoas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pernambuco e Rio de Janeiro. O valor máximo de cada projeto é de R$ 10 mil, sendo 70% custeados pelo Sebrae e 30% em investimento do empresário atendido. Todo o trabalho de consultoria é feito por agências de design de embalagens associadas e cadastradas na ABRE. Já a confecção das peças - depois de entregue o projeto - fica a cargo do próprio empresário que contrata o serviço.
* Leia a matéria na íntegra na revista do Sebrae, edição número 18, copiando o link abaixo e colando em seu navegador:
http://www.sebrae.com.br/br/revistasebrae/18/design.asp